Geralmente a olho de longe. Por puro medo, confesso. Ela, tão pequena, vive num mundo completamente paralelo ao meu. Ela bate e não assopra, ela desmonta, ela joga armários no chão. Ela tem mania de ter tudo em seu devido lugar. Ela tem toda a força e perfeccionismo que eu jamais teria. Ela vive para isso, para desmontar, bater, quebrar e tentar arrumar as coisas de acordo como a sua insanidade manda. Ela tem o apelido de Senhora Tempestade. Por onde ela passa, tudo levanta do chão. Ela é magra, com cabelos negros até a cintura. E quem a vê de longe, não imagina a força que tem.
Enfim, passei dias e dias olhando aquela pessoa de longe, sem tocá-la e imaginando que sequer pra ela eu existisse. Assim, cada uma no seu mundo, os meses foram passando sem que ela me olhasse nos olhos.
Ontem ela encostou em mim. Parou, me olhou e fez um barulho que eu não conseguia imaginar o que queria dizer. Eu tremia por dentro, imaginando que agora era a hora de eu levar um safanão... "Todos levam, porque eu não haveria de ganhar um também?" Mas não. Ela pegou a minha mão, fez outro barulho indecifrável com a boca e colocou a minha mão em cima do seu coração. Fez outro barulho e me deu um lado da face... E eu a beijei. Dei-lhe um beijo no rosto e ela seguiu seu caminho, como quem já estivesse feliz e satisfeita.
Ontem ela encostou em mim. Parou, me olhou e fez um barulho que eu não conseguia imaginar o que queria dizer. Eu tremia por dentro, imaginando que agora era a hora de eu levar um safanão... "Todos levam, porque eu não haveria de ganhar um também?" Mas não. Ela pegou a minha mão, fez outro barulho indecifrável com a boca e colocou a minha mão em cima do seu coração. Fez outro barulho e me deu um lado da face... E eu a beijei. Dei-lhe um beijo no rosto e ela seguiu seu caminho, como quem já estivesse feliz e satisfeita.
Hoje ela faz parte do meu mundo. E eu faço parte do mundo dela.
Mas as tempestades continuam... Para mim e para ela.
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