"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas as margens que o comprimem."
Bertolt Brecht.
E no final das contas, o rio não é um desembestado. É o entorno que o sufoca.
Alguém me salva de mim mesma, por favor?
domingo, 21 de março de 2010
[All I know is that It feels like forever]
Hoje visitei terras inférteis. Andei e conversei com vagalumes. Aqueles, esquecido e apagados por qualquer motivo que não fosse o meu. Eu quase escorregava na umidade espalhada pelo chão mas mesmo assim, num balanço, eu tentava descobrir o que sempre me levava pra lá. Eu não sei e acho que nunca vou descobrir. Nunca vou descobrir o motivo da umidade, da infertilidade, o motivo de eu deixar me levar.
Só eu sei o quanto eu queria. E só eu sei como esse balanço me deixa tonta. Os desencontros. Os encontros. O nunca estar lá e há anos tentar sair de lá.
Um dia, quem sabe, uma explicação plausível caia no meu colo me fazendo entender. Ou quem sabe, eu morra esperando encontrar na prateleira de um supermercado. Assim, de bandeja, se doando em alguma promoção imperdível.
O tempo passa. Os tratores passam. E eles não voltam.
Eles não voltam.
"Don't know how much time has passed
All I know is that it feels like forever
When no one ever tells you that forever
Feels like home, sitting all alone inside your head"
Relembrando o finado " Through The Glass".
quinta-feira, 18 de março de 2010
[Dentro dela, ela carrega um infinito]
Geralmente a olho de longe. Por puro medo, confesso. Ela, tão pequena, vive num mundo completamente paralelo ao meu. Ela bate e não assopra, ela desmonta, ela joga armários no chão. Ela tem mania de ter tudo em seu devido lugar. Ela tem toda a força e perfeccionismo que eu jamais teria. Ela vive para isso, para desmontar, bater, quebrar e tentar arrumar as coisas de acordo como a sua insanidade manda. Ela tem o apelido de Senhora Tempestade. Por onde ela passa, tudo levanta do chão. Ela é magra, com cabelos negros até a cintura. E quem a vê de longe, não imagina a força que tem.
Enfim, passei dias e dias olhando aquela pessoa de longe, sem tocá-la e imaginando que sequer pra ela eu existisse. Assim, cada uma no seu mundo, os meses foram passando sem que ela me olhasse nos olhos.
Ontem ela encostou em mim. Parou, me olhou e fez um barulho que eu não conseguia imaginar o que queria dizer. Eu tremia por dentro, imaginando que agora era a hora de eu levar um safanão... "Todos levam, porque eu não haveria de ganhar um também?" Mas não. Ela pegou a minha mão, fez outro barulho indecifrável com a boca e colocou a minha mão em cima do seu coração. Fez outro barulho e me deu um lado da face... E eu a beijei. Dei-lhe um beijo no rosto e ela seguiu seu caminho, como quem já estivesse feliz e satisfeita.
Ontem ela encostou em mim. Parou, me olhou e fez um barulho que eu não conseguia imaginar o que queria dizer. Eu tremia por dentro, imaginando que agora era a hora de eu levar um safanão... "Todos levam, porque eu não haveria de ganhar um também?" Mas não. Ela pegou a minha mão, fez outro barulho indecifrável com a boca e colocou a minha mão em cima do seu coração. Fez outro barulho e me deu um lado da face... E eu a beijei. Dei-lhe um beijo no rosto e ela seguiu seu caminho, como quem já estivesse feliz e satisfeita.
Hoje ela faz parte do meu mundo. E eu faço parte do mundo dela.
Mas as tempestades continuam... Para mim e para ela.
terça-feira, 9 de março de 2010
[Osmose]
No meio deles, me sinto perdida. Sinto dor, tontura, uma coisa que me suga, que me dá vontade de chorar. Sinto a tristeza e dor impregnada naquelas paredes. Paredes que deveriam ser impregnadas de alegria e gritos de felicidade. Eu sinto medo. Mas ao mesmo tempo, eles fazem com que eu me sinta agradecida por ser como eu sou, me fazem agradecer a vida que eu tenho e me fazem ser um pouco mais apegada com o invisível. Me preocupo com eles. Me preocupo com remédios, com a responsabilidade, com problemas que eu não posso resolver. Quero tentar fazê-los sorrir, quero que eles me olhem e me vejam ali. Quero, de qualquer forma, mostrar que eu faço parte do mundo deles também. Quero ajudar e não consigo.
Quero tirar tudo isso de dentro de mim, mas não consigo.
É... Acho que é a água.
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