quinta-feira, 22 de julho de 2010

[Taunted, cruel]

"Please could you stay awhile to share my grief?
For its such a lovely day
To have to always feel this way
And the time that I will suffer less
Is when I never have to wake"


Portishead - Wandering Stars

Essa banda tá me levando pro fundo do poço.

sábado, 17 de julho de 2010

[It's time to move over]

"From this time unchained
We're all looking at a different picture
Through this new frame of mind
A thousand flowers could bloom
Move over and give us some room"

Portishead - Glory Box.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

[Divine]

Apaixonados tem o péssimo hábito de divinizar seus amados. Tudo é lindo, cada palavra é música, cada gesto é doce, cada momento é um presente dos deuses. Os dias passam e esses seres amados vão se igualando aos tais deuses. Sobem alturas absurdas, tornam-se onipresentes, tornam-se essenciais, tornam- se o motivo do riso, da lágrima, da falta de sono e fome. Tornam-se vitais, estratosféricos.
Quando o apaixonado descobre que este ser mágico é, na verdade, um ser comum como tantos que andam por aí, é quando tudo começa a mudar. Como aquele ser tão perfeito pode tornar-se tão comum em questão de minutos? Como ele pôde cair de uma altura tão alta em tão pouco tempo? Como ele pôde me decepcionar tanto?
Na verdade, não nos apaixonamos por pessoas, e sim por seres divinos que não existem.
Não existem.

Olhar um ser divino tornando-se um ser comum é triste como ver um rio secar, porém, junto com o rio, secam as lágrimas. O encanto finalmente acaba.

domingo, 11 de julho de 2010

[Zombie]

As coisas funcionam assim: começou com muita palhaçada, eu venho.
Tudo pra mim é muito fácil. Amor, desamor, pegação, fora... Tudo é uma coisa só, tudo no final da na mesma: problema. Então sou encarregada do serviço sujo, de arrumar a lambança que essa porra costuma fazer. Venho, trabalho por uma noite e pronto.
Hoje precisei vir. Calça justa, salto, pose de modelo dos anos 70 com um pelerine cinza. Faturei uns quatro, só pra sair com o ego inflado mesmo, porque eu faturo e não pego ninguém. Faço o tipo "me quer? Tá caro...". No bom sentido da brincadeira, óbvio. E mais óbvio é que não tem ninguém disposto a pagar o quanto eu cobro.
Vim e arrumei a situação. Ser grosseira e mocréia é comigo mesmo. Coloquei o mano engomado pra passear, mostrei que aqui o negócio é mais difícil do que se imagina. Ajudei a pobre moça machucada, e ela voltou para casa com uns 50kg a menos na lomba.
Agora, amiga, é contigo. Você escolhe. Ou você continua em casa se descabelando por quem nem te liga pra saber se tu tá viva, ou corre atrás da bola. Eu estou de férias por tempo indeterminado depois dessa que tu me arrumou.

Kissez and best wishes,

Jeanie Jones.