terça-feira, 24 de agosto de 2010

[She loves me not]

Era engraçado ver como ela o olhava. Sabia fingir bem. Sabia que aquela era a resposta que ele daria para sua perguntas. E ela o olhava, sem parar, constrangendo o rapaz, fazendo-o pensar que ela tinha uma faca bem no meio do peito.
Ela, com o olhar fixado em um ponto, conseguia ver tudo o que acontecia em volta. Premeditava movimentos, via o que não estava ali. Ela sabia muito mais do que ele imaginava. Sabia quem ele era, sabia o que ele pensava, enxergava o gelo que ele carregava no peito.
Ela cobrava o que nunca dava. Ela queria ter o que não tinha para dar. Roubava pra ela aquilo que roubaram dela.
O coração.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

[Cadê o amor que estava aqui?]

A típica pessoa que vive de amor e cabana. Come amor, respira amor, veste-se de amor.
É amor por ela mesma, pelo outro, pela árvore, pelo mundo. Ama intensamente, irreparavelmente, porque a cada vez que ama alguma coisa estraga outras tantas.
Ela ama. Ama demais. Ama sem pensar.

A única coisa que nunca contaram à ela, é que não é amada.

sábado, 14 de agosto de 2010

[If my words are not that clear...]

"A felicidade é um exercício", os diálogos infindáveis com Deus são um exercício e a demagogia é uma arte. Estou cansada demais pra me exercitar. E, sem dúvida, sou uma artista de primeira. Talvez, como Mack, eu tenha dois pés no passado, "Na Grande Tristeza", na perda irreparável que mata a cada vez que se distrai. Talvez eu nem possa viver o presente da forma como deveria por já ter morrido tantas vezes. Por não acreditar, por não querer. Não sei. Sei de muito pouco, na verdade. Pouco de tudo. Pouco do passado, do presente e de mim. O futuro, como Mack e todas as outras pessoas, eu também tento adivinhar. Talvez morra mais um pouco a cada dúvida que se arrasta, a cada história abandonada. "I can't help it". É mais forte do que eu. E essa é só mais uma história abandonada. Eu sou uma pessimista convicta. Ainda espero que a cabana manchada e sombria vire um chalé florido com um lago e um céu estrelado para se ter a impressão de ser engolida. Seria isso um traço de otimismo?

Por Ju em [If my words are not that clear...] em 22/08/09

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

[A maldição da página em branco]

Seca de palavras. Não por falta de pensamentos, e sim por pura falta de palavras. Meus pensamentos não conseguem manter-se alinhados em texto. Fogem, correm, rebelam-se. É brainstorm ao contrário.
E olha que por aqui chove bastante.

"There is no parasol that could shelter this weather."

Quando meus pensamentos voltarem para casa, eu também volto. Volto pra dizer tudo o que não disse. E mais, pra dizer que eu ainda acredito. E ainda mais, pra dizer que eu estou nas mãos de alguém.
E eu estou adorando.
E mais nada.