sábado, 24 de abril de 2010

[Who knows where the cold wind blows?]

Sentada na janela do segundo andar, ela batia com pouca delicadeza os pés na parede de fora do prédio. Sentia prazer em ver as pastilhas coloridas de vidro espatifando-se em cima dos carros estacionados. Fazia isso sem motivo algum, só porque gostava. Gostava de sentir o vento no rosto, imaginar mãos no seu rosto, tranças nos seus cabelos. Era só o vento frio arranhando sua pele e embaraçando seu cabelo, mas ela não exergava assim. Era mágico, eram carícias.
Era sozinha. Tinha muito tempo livre. Já havia contado todas as fileiras de pastilhas coloridas. Tentava montar um sequência de cores, e acha um burro quem fez aquilo sem uma sequência. "Quanto disperdício de cores.". Gostava também de tranformar as placas dos carros estacionados em equações complexas. Para ela, isso era diversão.
Era sozinha. Sua companhia era a água corrente, o vento e o barulho das pastilhas de vidro no chão. Imaginava-se caindo lá embaixo lentamente, como num vôo libertador. Sentia-se presa, porém não tinha coragem de voar, mesmo sabendo como abrir a gaiola.
Era sozinha. E mais um dia passava sem que ela tivesse coragem de faz o que deveria ser feito. Mais um dia ali, sem um propósito, sem um bom motivo.
Era sozinha. Era mais uma. E seria assim até que tirasse do pensamento que estaria aqui, mesmo quando não estivesse mais.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

[ ]

Hoje estou me sentindo vazia. E nem assim consigo alguma coisa útil pra escrever. A seca de criatividade perdura nos meus pensamentos. Eu costumava escrever bastante nesses momentos de vazio, de tristeza. Hoje, nem sei mais o que me falta.

A chuva. Hoje ela não cai de mansinho.
Nem lá fora e nem aqui dentro.
Que pelo menos, ela deixe tudo novinho.

Amanhã é um outro dia. Ou não.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

[Girl Disappearing]

Eu. Juliana, 27 anos, caiçara de alma e coração, de saco cheio de quase tudo. Metódica, organizada e chata. Odeio rotina, mas não me tire a minha. Me perco, me atraso e preciso dela pra começar o outro dia. Odeio que mexam em minhas coisas, mas não me importo de dividir nada com ningém. Sou difícil, mas quem souber me levar, leva até as minhas roupas do corpo.
Pedagoga. Trabalho como Orientadora Educacional. Comecei cedo no serviço público. Já trabalhei com os pequenos, com os grandes, e hoje, trabalho em uma escola mista com salas regulares e salas de educação especial. Sou apaixonada pelo o que faço, trabalho sorrindo o dia inteiro. Amo todos os meus alunos, mas tenho uma queda pelos especiais. Amo-os e faço o que puder para garantir que estejam bem dentro e fora da escola. Um briga deles, é uma briga minha. E eu brigo de verdade.
Sou meio careta, meio desordenada. Sou séria uma parte do dia, mas gosto de levar a vida da melhor maneira possível, sem muito siso. Sou da rua, sou do vento, sou da chuva. Não gosto de me sentir presa, não gosto de dar muitas satisfações, mas se gosto da pessoa, não me importo, eu dou todas.
Sou fiel, mas nunca descarto a possibilidade de traição. O ser humano é falível e egoísta. Se alguém traiu, a culpa é dos dois. Alguma coisa estava faltando ali. Se eu trair, o outro será o primeiro a saber. Não peço perdão por atitudes conscientes, me deixo ser julgada nesses casos.
Tenho o dedo podre. Escolho as piores pessoas para me relacionar, me apaixono por elas também. Carrego um vazio dentro de mim por ainda não ter encontrado alguém capaz de me fazer enlouquecer de amor. Aquele que seria o motivo dos meus suspiros, o que seria o único, o que seria o último. Ainda não achei alguém capaz de me fazer sentir assim. Talvez um dia ele passe na minha frente, e eu espero reconhecê-lo. Espero também, que ele passe logo. Amor assim faz falta e eu tenho a necessidade de suspirar o dia inteiro. Quase me casei duas vezes. Fugi a tempo. Sou incapaz de estar ao lado de alguém sem vontade durante um dia, quem dirá uma vida inteira (na teoria, pelo menos). Amor faz falta e só caso com quem eu estiver profundamente envolvida, amando loucamente.
Estou com sono. Acordo todos os dias as 4:30 da matina.

Acho que chega de autopromoção por hoje.
Hum.
Ok.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

[5h48min]

Muito cedo, lá estava eu na minha feliz rotina diária, relativamente longe de casa, iniciando mais uma singela viagem até a outra dimensão, que é onde trabalho. Gosto de acordar antes da maioria das pessoas. É calmo, escurinho, tudo só pra mim. É quando eu consigo parar pra pensar.
Por falar em pensamentos, hoje o pensamento do caminho até a outra dimensão era: "se a minha vida tivesse uma trilha sonora, qual seria?". Difícil. Tentei achar uma discografia que pudesse traduzir pelo menos grande parte dos momentos mais inusitados que já passei e... Tcharãn! É Roxette, sem dúvida. Brega, com as calças excessivamente grudadas e com o cabelo descolorido até quase cair, imaginei a Marie andando atrás de mim diariamente com um microfone na mão. Em segundo lugar na "top list" da trilha sonora da minha vida, viria sem dúvida, a diva Cyndi Lauper, também dona de uma breguice descontrolada.

Dentro dessa trilha sonora híper não-precisa-nem-explicar, procurei uma música que pudesse ser tema da próxima notícia que eu darei para meu estimado papai.

"Papai, eu não vou mais casar! Estou solteira!"
Now playing: "Better off on her own", Roxette.

Eu não sei viver sem ser feliz.