sábado, 24 de abril de 2010

[Who knows where the cold wind blows?]

Sentada na janela do segundo andar, ela batia com pouca delicadeza os pés na parede de fora do prédio. Sentia prazer em ver as pastilhas coloridas de vidro espatifando-se em cima dos carros estacionados. Fazia isso sem motivo algum, só porque gostava. Gostava de sentir o vento no rosto, imaginar mãos no seu rosto, tranças nos seus cabelos. Era só o vento frio arranhando sua pele e embaraçando seu cabelo, mas ela não exergava assim. Era mágico, eram carícias.
Era sozinha. Tinha muito tempo livre. Já havia contado todas as fileiras de pastilhas coloridas. Tentava montar um sequência de cores, e acha um burro quem fez aquilo sem uma sequência. "Quanto disperdício de cores.". Gostava também de tranformar as placas dos carros estacionados em equações complexas. Para ela, isso era diversão.
Era sozinha. Sua companhia era a água corrente, o vento e o barulho das pastilhas de vidro no chão. Imaginava-se caindo lá embaixo lentamente, como num vôo libertador. Sentia-se presa, porém não tinha coragem de voar, mesmo sabendo como abrir a gaiola.
Era sozinha. E mais um dia passava sem que ela tivesse coragem de faz o que deveria ser feito. Mais um dia ali, sem um propósito, sem um bom motivo.
Era sozinha. Era mais uma. E seria assim até que tirasse do pensamento que estaria aqui, mesmo quando não estivesse mais.

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