domingo, 28 de fevereiro de 2010

[...]

Aquilo era só uma montanha de lixo.
Grande, com cheiro de terra molhada, com cupins e alguns outros bichos que ela nunca vira antes.
Era hora de se desfazer de cada peça.

Hoje é dia de faxina... Dentro de mim.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

[Single Ladies]

Beyoncé já mandava um apelo por todas as solteironas de plantão. E é assim, pressão, dedos vazios, pais cobrando o tão esperado neto. Lembro de estar deitada no sofá pensando "com vinte eu caso, com vinte e dois tenho filhos". Não, a vida não é um saquinho de jujubas. E, quando crescemos, percebemos que casar aos vinte é loucura, casar é caro, homem não presta e rotina esmaga qualquer amor, reduzindo o seu sonho à uma insanidade.
Há alguns meses estava eu, sentada no sofá do meu pai, gargalhando enquanto ele chorava e dizia: "eu só queria que você fosse feliz, eu só queria ver você entrar na igreja.". Pois é, papai... Eu tenho quase trinta. Ainda bem que sempre tem aquela amiga solteirona que vai andar pelo calçadão da praia só pra morrer de vontade de chutar todo e qualquer casalzinho feliz que atravesse nosso caminho.
A moça faz vinte anos de idade e começa a namorar. Faz um ano de namoro e os tios dela passam aquela festinha de família insuportável dizendo: "e aí meu rapaz, quando você vai parar de enrolar a minha sobrinha?", tornando tudo mais insuportável ainda. A moça faz vinte e cinco e termina o namoro porque descobre que o namoradinho era um bosta, que jamais seria um bom marido. Sorte dela, sem dúvida. Agora ela pode parar de pensar na festa de casamento para finalmente gastar tudo o que economizou na loja de roupas mais próxima. E vai, e gosta daquilo. Dali pra frente são festas, baladas e o sentimento de que agora sim está aproveitando a vida.
Só que o tempo passa e a solidão aperta. O "one night stand" já não é tão legal assim e a estabilidade faz falta. Nos conformamos que a Branca de Neve catou o último príncipe e no reino só sobrou aquele carinha confuso, que se acha a última bolacha do pacotinho, que peida e dá risada do próprio peido. É isso que temos, azar. Bom, resumindo: o carinha que peida e ri se torna um partidão. Nos resta agora a esperança de ensiná-lo bons modos.
O ruim agora é contar pra'quela sua amiga que você está feliz como um casalzinho do calçadão, e está fora da guerra. Que agora, vai casar.
Afinal, eu tenho quase trinta.

Bom, amiga... Eu vou casar.
E meu pai vai parar de chorar.