E num instante de loucura-lucidez, eu grito tudo o que eu não falei nos últimos quatorze anos pra você. Quatorze anos, cara. É uma vida. Você me abraça com olhos verdes e diz que está tudo bem, tudo bem, tudo bem. E vai embora. Vai embora e deixa as saudades de ontem, de hoje e do amanhã que nunca chega. Dos quatorze anos que passaram sem você aqui. Você indo e voltando e dizendo que eu estou ficando louca ou que eu estou bêbada demais, ou que eu sempre fui o amor da sua vida. Não, não. Eu nunca bebo demais. Eu nunca fui o amor da sua vida.
Os dias passam e você vem e vai. Some e eu finjo que te liguei por engano, dizendo que estava dirigindo e fumando e pensando no meu irmão. Foge de mim, que eu fujo de você. Quem chegar primeiro, ganha.
Não me liga nunca mais cantando, sussurando ou falando esse texto ensaiado, velho, de quatorze anos atrás. Eu te conheço, você me viu crescer. Eu não sou mais aquela menina que treme quando te vê. Some, mas some de vez. Leva essa música, esses olhos e todas as pseudo-decepções que você diz que eu te causei. Leva esse pedaço meu-seu que fica pendendo por toda a vida, me fazendo desistir de pessoas, lugares, só pra te ver. Foge de mim, que eu fujo de você.
E, por favor, não volte.
2 comentários:
Um texto desabafo ou só um texto escrito num domingo? Muito bom!
Só um texto dominical. Hoje eu tô que tô insuportável... Huahuahuahau
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