segunda-feira, 10 de maio de 2010

[She lights a candle, but she doesn't know why]

Meu Deus, essa é uma oração. Minha mãe me ensinou desde bem cedo que não precisamos rezar o "Pai Nosso" para conversar com o Senhor. Isso é verdade? Preciso conversar. Terapia está cara e a que a Prefeitura oferece para os funcionários da Educação, não terá vagas tão cedo. Se o Senhor tiver ouvidos, por favor me escute. Aproveite e sente-se também, por que o chumbo é grosso, posso demorar a terminar.
Sabe, Senhor, as vezes penso que sofro de uma falta de sorte crônica. Assim, nada parece dar muito certo na minha vida. As vezes penso ser sortuda demais, as vezes tropeço no meu azar, as vezes lembro de agradecer por tudo o que tenho e por tudo o que aprendi com o que/quem perdi, mas sabe, é difícil me lembrar de agradecer por tudo o que eu já sofri por aqui. Acho que para isso precisamos ser muito evoluídos, e eu nem sou tanto assim. E acho que nem quero chegar lá, pra falar a verdade. Ter consciência e compreensão demais deve ser um tanto chato. Prefiro poder surtar, gritar de vez em quando, sair correndo pela rua e pagar uma de maluca pra uns e outros. Será que é melhor assim? Não sei.
Penso porque as coisas acontecem de forma tão complexa pra mim. Por acaso o Senhor já me viu em paz? Assim, completamente em paz? Óbvio que não. Constantemente estou no olho do furacão, e quando eu acho que as coisas estão indo pelo caminho certo, estão se acomodando, minha vida dá um 360° e tudo muda novamente. Não tenho medo de mudanças, mas uma hora isso enche o saco. Será que sou eu quem provoca essas mudanças? Será que sou uma dramática de plantão?
Sobre o coração. Aí o Senhor tá de sacanagem comigo, né Deus? Meu, quando que eu tive um relacionamento tranquilo? Tá, eu tive. Um só. Durou pouco e eu não tinha do que reclamar, até ele reaperecer dez anos depois e me levar pra cama com o maior papo furado e desaparecer na neblina no dia seguinte. Tá vendo? Eu exagero? Claro que não! Tenho uma coleção invejável de trastes e histórias tragicômicas para contar. Isso é uma síndrome? Tem cura? Que coisa, eu não aguento mais. Será que é pedir demais pro Senhor dar uma forcinha pro destino e colocar alguém decente no meu caminho? Só decente já tá bom, nem peço um bonitão. Por tudo isso, ando pensando em produção independente. Sabe aquele papo do "antes só do que mal acompanhada"? É por aí. E outra, mulheres que engravidam depois dos trinta e cinco anos de idade tem maior probabilidade de gerar filhos autistas. Tá brincando, né? O Senhor quer me transformar numa mulher paranóica?
Agradeço pela minha família. Eles são todos meio pimbas da cabeça, raramente me entendem, mas se esforçam um bocado pra tudo dar certo. Agradeço pelo meu irmão, que é uma das pessoas mais cretinas e importantes pra mim. Peço que dê sabedoria à ele e saúde à filha dele, a Gordinha. Eles são os meus grandes amores. E à minha mãe, que nem se fala... Essa aí é o meu porto seguro, mesmo quando está balançando com o vento.
Me tornei uma pessoa religiosa aos poucos. Fui crescendo e entendo porque o mundo é mundo e porque as coisas acontecem com as pessoas. Fui acreditando no invisível e aprendendo aos poucos a valorizar o que é simples, o que é sincero. Ainda escorrego e sei que não sou tão boa filha. Um pouco relapsa, um pouco desleixada, um muito preguiçosa. Agradeço aos Orixas que me guiam e me colocam diariamente em pé, com vontade de acabar mais um dia. Agradeço à chuva, ao vento, às árvores que me rodeiam e nunca me deixaram perdida no meio das minhas trilhas em matas fechadas. Já sentei na terra muitas vezes e chorei, mas o assovio sempre me guiou por onde o rio corre, me levando ao fim de mais um caminho. Aliás, há tempos não faço trilhas! Estou ficando uma velha de marca maior. O tempo está passando pra mim, Senhor. E eu não estou exagerando novamente. O tempo passa, e passa rápido demais pra eu dar conta de tudo sem deixar passar nada. Tempo. Eu não sei o que eu faço com ele.
Senhor, acho que falei demais e não disse nada. As vezes é mais fácil colocar a culpa em alguém e pedir ajuda, do que se mexer efetivamente. Sinto que estou falhando demais. Estou triste demais, bagunçada demais, perdida demais. Preciso, hoje, de uma direção e de um colo. Preciso ser vista da maneira como realmente sou, sem muitos enfeites e palavras bonitas. Hoje, não sei mais o que me falta.
Acho que vou parar por aqui, Senhor. Outro dia, se o Senhor estiver disponível novamente, a gente conversa mais um pouco. Deve ser difícil ouvir e atender à todos os que pedem para conversar também, eu entendo. Peço que pense com carinho nas minhas palavras, que sinta o que eu sinto agora. E que, principalmente, me aponte um caminho que me leva a algum lugar.
Obrigada.
Amém.

4 comentários:

Razzo disse...

"Não tenho medo de mudanças, mas uma hora isso enche o saco."

E como enche, não é? Texto excelente, menina, mas me sinto um tanto quanto oco por dentro ao perceber que não consigo dizer muita coisa além disso...

Anônimo disse...

Fala demais e pouco faz.
Brinca de roleta russa com as palavras. Você transforma o nada em algo mais também faz o inverso.
Um bom amigo psiquiatra seria muito bom.


Verde.

Ju disse...

Razzo;

Coloque só o seu nome aqui. Isso já me satisfaz.
=)

Alexandre disse...

Jujuba que é doce mas não é bala, está complicado esse seu amigo cheio de dor de cotovelo, hein? Será que esse rapaz já conviveu com você para ter tanta intimidade ao falar da sua vida? Pois se conviveu, não conheceu.

Caro colega, não costumo tomar as dores de ninguém, mas você está sendo ridículo ao fazer esse tipo de comentário. É inveja? É amor recolhido? Porque é o que parece. Conheço a Juliana a muito tempo... Tempo suficiente para saber que ela é o tipo de mulher que com certeza não está se abalando com os seus comentários. Este espaço é dela. Aqui nós somos convidados por isso é educado que se formos falar qualquer coisa que seja agradável pelo menos.

Juzinha... Para mim ainda és a mais bela e mordaz das blogueiras. Hahaha... Te comparo fácil com escritores mais pops, e ainda acho que você dá de dez em alguns. Mas ainda sinto falta dos seus textos mais "viajantes", como aquela trilogia sobre o semi-círculo, por exemplo. Estes, sem dúvida, foram os melhores textos que já li. Se você ainda os tiver, coloque aqui, vale muito a pena ler novamente! Os três!
Neste blog sinto que você está mais feliz, sem vagalumes, sem viagens, sem sonhos que mais parecem roteiros de filmes, sem semi-círculo, sem Trough the glass, mas a boa e velha Ju.

Não ligue para estas pessoas que só querem aparecer. É... Eu bem sei que você não liga mesmo. Hahahahahahahahaha